Antes de existir o Caderno, essas referências já estavam por toda parte no Atelier.
Na arquitetura de um lugar, em uma combinação de cores, numa mesa que me fez parar para olhar, na comida, na natureza, nos objetos, nos hotéis, na arte, na decoração e em tantas outras coisas que vão formando nosso repertório sem que a gente perceba.

O Caderno do Atelier nasceu para dividir um pouco desse olhar por aqui também.
Nem sempre ele vai falar sobre aquilo que fazemos. Às vezes será justamente sobre algo que encontrei fora daqui e que acho que vale conhecer.
E, para começar, escolhi um lugar para onde nós mesmos continuamos voltando.
Villa do Vale, em Blumenau
Conhecemos o Villa do Vale procurando um hotel diferente para comemorar nosso aniversário de casamento.

Como gostamos de fazer viagens mais próximas e passar por algumas cidades no mesmo roteiro, deixamos Blumenau para o final. A ideia era justamente passar os últimos dias descansando.
Deu tão certo que, desde então, tentamos voltar pelo menos uma vez ao ano.
E quando digo que gosto do Villa por ser intimista, não estou falando de uma pousada pequena ou de um hotel com pouca estrutura.
Ele é um hotel boutique com apenas 20 suítes, divididas em nove categorias bastante diferentes entre si. Há quartos com ofurô, banheiras de imersão ou hidromassagem, acesso direto à piscina, vista para a cidade e para a Mata Atlântica, além de spa e restaurante. As suítes vão das opções mais enxutas a uma presidencial de 100 m².
Essa escala menor parece ser justamente uma escolha.
Os proprietários contam que conheceram mais de 200 hotéis ao redor do mundo e trouxeram muitas dessas referências de hospitalidade para o projeto em Blumenau. Talvez isso ajude a explicar uma coisa que sempre percebemos ali: existe estrutura de hotel sofisticado, mas o atendimento continua extremamente pessoal.
E, no fim, são justamente esses detalhes que fazem a gente voltar.
O tipo de atenção que fica na memória
Os funcionários sabem nossos nomes.
E não é porque aconteceu em uma estadia específica ou porque o hotel estava mais vazio. Esse sempre foi o padrão de atendimento que encontramos por lá.
Perguntam se está tudo bem, são muito atenciosos sem aquela sensação de alguém estar o tempo inteiro em volta e, quando vamos embora, quase sempre aparece uma água ou alguma gentileza para nos acompanhar na viagem.
É pequeno, mas eu lembro.
Os amenities também são L’Occitane — o que, obviamente, não passou despercebido para mim, que sou cliente da marca há anos.
E existe silêncio.
Nós gostamos especialmente de ir durante a semana e fora da alta temporada. O hotel fica ainda mais reservado e é realmente possível descansar.
Sei que recebem famílias e que também existem programações voltadas para crianças em alguns períodos. Inclusive já indicamos o Villa para amigos que foram com a filha pequena e amaram.
Mas a experiência que construímos ali acabou sendo muito nossa, de viagem a dois.
Talvez por isso eu sempre associe o hotel a desacelerar.
Na primeira vez fizemos uma massagem no spa que estava tão boa que praticamente dormimos.
Em outras estadias, passamos horas na jacuzzi de água quentinha. Costumamos ir quando ainda não é verão, então ficar ali sem pressa é uma das partes que eu mais gosto.
E existe um drink com uma espuma de gengibre deliciosa cujo nome eu nunca consigo lembrar.
Lembro da espuma.
Do nome, nunca.
Talvez isso seja uma recomendação melhor do que decorar o cardápio.
E ele é muito bonito
A estética também pesa bastante para mim.

Os tons de verde usados nos ambientes são lindos, os móveis têm presença e tudo parece ter sido escolhido com muito cuidado.
É sofisticado, mas não tem aquela sensação impessoal que alguns hotéis maiores acabam tendo.
O Villa foi construído a partir de uma propriedade que já existia em Blumenau, e talvez parte da personalidade venha justamente daí. Ele não parece um grande prédio de hotel que poderia estar em qualquer cidade.
Existe identidade.
E isso, para mim, faz diferença.
Até o quarto depende da viagem
Depois de algumas estadias, aprendemos também que não existe uma categoria de quarto “certa”.
Existe a que faz sentido para aquela viagem.
Quando Blumenau é apenas uma parada, principalmente quando estamos viajando de moto, normalmente chegamos mais tarde e saímos logo depois do café da manhã.
Nesses casos, escolhemos uma acomodação mais simples. Não adianta pagar por banheira, acesso à piscina ou outras comodidades se sabemos que não teremos tempo para aproveitar.
Já quando ficamos dois dias ou mais, a história muda.
Aí faz sentido escolher uma categoria mais completa, passar tempo no hotel, aproveitar piscina, spa, restaurante e simplesmente não ter tanta pressa para sair.
Nessas viagens, o hotel deixa de ser onde dormimos e passa a fazer parte do destino.
Agora, o café da manhã…

O restaurante do Villa, o Botic, é muito bom. A proposta é de gastronomia contemporânea, com ingredientes regionais, e ele também recebe quem não está hospedado — inclusive no café da manhã, mediante reserva.
Mas o café da manhã tem meu coração.
O cardápio é bem variado e nós já temos nossos pedidos.
O avocado toast é uma delícia.
Os waffles também.
Mas os ovos beneditinos continuam sendo os favoritos.

Sempre os ovos beneditinos rsss
E existe toda a parte de doces, da qual aparentemente eu lembro que amo, mas não consigo listar absolutamente nada.
Minha memória resolveu guardar os ovos.
O restaurante tem poucas mesas e continua com aquela atmosfera reservada do restante do hotel. Para nós, funciona muito mais como um lugar para uma refeição tranquila do que como aquele restaurante grande e movimentado que normalmente imaginamos dentro de um hotel.
Afinal, por que voltar?
Essa é provavelmente a pergunta mais fácil.
Porque encontramos ali praticamente tudo que gostamos quando viajamos para descansar: conforto, silêncio, piscina quentinha, spa, comida excelente, drinks muito bem feitos, atendimento cuidadoso e uma estética impecável.
E porque a experiência continua boa depois da primeira vez.
Isso, para mim, vale muito.
Já indicamos o Villa para amigos e a conversa normalmente nem rende uma grande explicação.
É mais ou menos:
“Vai. Você vai amar.”
Muitas vezes aproveitamos Blumenau quando passamos alguns dias também por Pomerode — que certamente merece um Caderno só para ela — ou simplesmente quando queremos dois ou três dias sem grandes planos.
Existe ainda outro lugar que tentamos revisitar de tempos em tempos e que entrou nessa mesma categoria de “vamos voltar”: o Spa do Vinho, em Bento Gonçalves.
Mas essa história fica para outro Caderno. :)
Para guardar:
Villa do Vale Boutique Hotel
Blumenau · Santa Catarina
Rua Petrópolis, 342 · Centro
